Arquivo mensais:setembro 2014

Índio quer apito? Parte 2: o plano de aula

Lembra do meu post  índio quer apito? Pois bem…aqui vai a sequência de atividades que elaborei para trabalhar esse tema em sala de aula. O material foi elaborado pensando em turmas do  3º ano do Ensino Médio nas disciplinas de Língua Portuguesa e Produção Textual. Os materiais estão disponíveis para download no Scribd, totalmente free!

Atividades disponíveis em arquivo pdf para download gratuito

Divirtam-se! Tragam suas considerações sobre o material 😉

Besitos da Fessora Wanessa…

Ps: áudio da música sugerida no plano de atividades

 

Quanta disciplina é necesária para salvar a Educação Básica?

Hoje tem conselho de classe aqui no blog da Fessora!
Seja você de qualquer classe, partido, estado, profissão…sinta-se bem vindo!
O Jornal Bom dia Brasil de hoje exibiu uma entrevista, gravada previamente, com a candidata a reeleição Dilma Roussef.

Nós vamos nortear a discussão de hoje a partir de um trecho  do segundo bloco da entrevista exibida no dia de hoje 22/09/2014. Especificamente o que é dito a respeito dos rumos da Educação Básica a partir do 9:50m.

Entrevista com Dilma Rousseff no Bom Dia Brasil – 22/09/14 

Para ajudar aí vai um quadro com  metas e os respectivos números alcançados no IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica):

IDEB ENSINO FUNDAMENTAL

Como citado pela atual presidenta, as áreas em verde mostram que nós conseguimos alcançar as metas estipuladas para a Educação Básica no Ensino Fundamental, mas deixemos de lado as porcentagens que estampam as manchetes nos veículos de comunicação e nos atentemos aos valores reais. Temos mesmo o que comemorar quando vemos que alcançar a média não chega a valer metade do total de pontos propostos em uma avaliação?

Em seguida ela aponta a dificuldade em alcançar as metas no Ensino Médio . Então vamos dar uma olhadinha nesses números também:

ideb em

E destaca também os avanços significativos e a implementação do PRONATEC. Comenta também a necessidade de reformular o currículo do Ensino Médio, afirmando que 12 disciplinas constituem-se como uma carga muito grande para os jovens. Nesse molde o curso não se torna atraente para eles.

Pera aí…. o que faz com que os jovens se desinteressem pelos estudos é a quantidade de disciplinas ou o modo como elas estão sendo ministradas? A estrutura da Unidade Escolar, os recursos físicos e pedagógicos oferecidos para os corpos docente e discente não influenciaria em nada nesse quesito satisfação? Em uma proposta de currículo trandisciplinar qual o espaço reservado para a formação do docente para se adequar aos novos pressupostos tendo em vista que o magistério tem a pior remuneração do Brasil, dentre as carreiras com Ensino Superior.

Então acho que é muito relativo falar que 12 matérias seja pouco ou muito, que Sociologia e Filosofia podem ser repensadas no currículo, assim como o espanhol que deve estar sendo repensado pela NASA e , até agora, não me passaram um caminho pra seguir na Prefeitura do RJ. Precisamos restringir o jovem a cursar o Ensino técnico? E nos exames de aprovação para as Universidades? O conteúdo suprimido para priorizar o Ensino técnico não prejudicará o aluno na hora de fazer os exames?

Presidenta, quero uma escola que dê asas e não um labirinto de gaiolas…

 

Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas

E aí ? Como é ou foi a sua experiência escolar?

O Museu de Arte do Rio está com uma exposição bem interessante sobre os desafios enfrentados pela educação, pela arte e pelo museu. vai rolar até o dia 11 de janeiro de 2015. Mesmo que você já tenha deixado o espaço escolar vale a pena uma visita!

A frase de Rubem Alves que dá título à exposição e ao post me fez pensar bastante… Não tenho dúvidas de que os espaços escolares em que trabalho atualmente são gaiolas, mas e eu? Eu as tenho deixado devidamente abertas pra que meus alunos possam voar?

cinthia_almeida_quadro_de_giz_site

Cinthia Almeida_Quadro de giz

Ou será que também estou presa nelas?

IMG_1748Em que momento a instituição escola deixou de lado o sentido grego (σχολή – scholē) que vislumbrava o espaço escolar como um espaço onde o lazer era empregado? Em minha experiência discente convivi com giz, mimeográfico, perguntas ctrl + c crtl+v, memorização, salas depredadas e, ainda assim eu respeitava esse espaço. Ainda que marginalizado eu me sentia aprendendo, ficava feliz em estar ali. Atualmente temos novos planos para o planejamento das atividades, inserção das Tic’s, um maior acesso às informações… Pensa comigo… com todo esse progresso era pra estar melhor…. ou não?

IMG_1729IMG_1731IMG_1733IMG_1736

Agora o acesso é ofertado amplamente! Mas em que condições? Até quando a BURROCRACIA (não, eu não digitei errado) vai fazer da Educação um aglomerado de arquivos suspensos ?

IMG_1754

Enquanto eu curo minhas asas feridas das grades da gaiola sigo também traçando novos planos de fuga, outros contos que me façam seguir nessa trilha sem encarar tudo como uma grande penitência…. Não deixe de dar uma passada no MAR e expor o que essa mostra causou em você. Seja aluno, educador, gestor, responsável, todos tem uma opinião e uma contribuição a dar ao espaço educacional!

IMG_1727

Índio quer apito?

Estou fazendo o curso de Formação continuada oferecido pela parceria entre a SEEDUC e a Fundação CECIERJ este semestre e estou gostando bastante da experiência. Todos nós educadores temos a solitária tarefa de elaborar nossos materiais, além de revisar e julgar o uso dos que as escolas nos oferecem diariamente. Lá vejo um espaço onde todos trocam bastante informação, compartilham suas experiências na aplicação dos materiais. Tudo muito interessante. Um dos eixos bimestrais propostos para esse ciclo problematiza a questão do negro e do índio na sociedade brasileira. Tenho bastante material a respeito da questão do negro na sociedade, até porque esta foi uma das questões que discuti em minha dissertação de mestrado. Mas e sobre o índio…o que nós sabemos? Faça uma busca rápida no Google e veja os resultados que aparecem…Tem bastante informação desencontrada!

Observe a figura abaixo e questione-se comigo:

Publicidade veiculada no Brasil em 2014 em virtude da realização da Copa do Mundo

Publicidade veiculada no Brasil em 2014 em virtude da realização da Copa do Mundo

–  Até que ponto o cocar na cabeça do homem da publicidade o identifica como membro de uma comunidade indígena?

– Em que medida o uso de roupas e o consumo de uma bebida mundialmente conhecida o afastam do universo indígena?

– Para ser reconhecido como um indígena nos tempos de hoje o índio precisa necessariamente manter-se encerrado em seus costumes e práticas originários de sua tribo?

– O índio, pertencente a raça humana, assim como o negro, o branco, o oriental não está também sujeito às mudanças ocorridas por conta da evolução histórica da sociedade?

Se você, assim como eu, acredita que tem pouca informação sobre o assunto, vale assistir esse vídeo com a participação de Eduardo Viveiros de Castro, um dos maiores nomes na área.

Esse vídeo foi indicação da minha amiga Cristiane Oliveira, que faz um trabalho lindo juntamente com os Karajá. Nessa foto temos um pequeno registro da realização da segunda oficina de gramáticas pedagógicas para línguas indígenas brasileiras.

karajás1937442_10204057856595930_2154259561953781208_n

Quer saber mais sobre esse projeto? Clica aqui.

Pois é….a elaboração desse trabalho me fez refletir muito sobre isso. Índio pode querer apito, espelho, ipad, coca cola… Por que romantizar a imagem do indígena e resistir em aceitar que os índios participem como sujeitos ativos do mundo moderno? Tem índio que se aproveita das situações pra se beneficiar? Que faz falcatrua? Grande novidade! Isso não é uma questão de cosmovisão de uma tradição específica…. é índole, aliás, má índole!

 

Post fora da lei

O post de hoje é também uma declaração de culpa. Daqueles delitos que você comete porque acredita veementemente que não está fazendo nada de errado. Preparem os paus, pedras e cérebros atentos para ler as linhas que seguem: Vou falar do uso de celulares na sala de aula! Vamos à Lei que vigora aqui no estado do Rio de Janeiro:

LEI Nº 5453, DE 26 DE MAIO DE 2009.

(Fonte: http://gov-rj.jusbrasil.com.br/legislacao/231710/lei-5453-09)“DISPÕE SOBRE A PROIBIÇÃO DO USO DE TELEFONE CELULAR E OUTROS APARELHOS NAS ESCOLAS ESTADUAIS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. ”
“Art. 1º Fica proibido o uso de telefones celulares, walkmans, diskmans, Ipods, MP3, MP4, fones de ouvido e/ou bluetooth, game boy, agendas eletrônicas e máquinas fotográficas, nas salas de aulas, salas de bibliotecas e outros espaços de estudos, por alunos e professores na rede pública estadual de ensino, salvo com autorização do estabelecimento de ensino, para fins pedagógicos. ”

Eu fui ler mais sobre o assunto e descobri que da redação do Projeto de lei, aliás dos projetos, até a aprovação rolou muito tiro, porrada e bomba em relação ao tema. Quer saber mais detalhes? É só dar uma lida aqui: http://www.submit.10envolve.com.br/uploads/7fb77f84e31509d89d32eb522634effc.pdf

O uso de celulares e aparelhos eletrônico na sala de aula foi vedado por uma série de transtornos ocorridos no espaço escolar: alunos que não fazem as atividades porque estão mexendo em seus aparelhos; que permanecem com fones de ouvido durante a fala do professor; que passam respostas de exercícios e avaliações para outros alunos usando mensagens de celular.

Realmente abomino o uso de qualquer objeto, eletrônico ou não, que impeça o aluno de participar ativamente do momento da aula. Além disso, tem a questão do desrespeito com a figura do profissional da educação que está ali para contribuir com o aprendizado da turma e não para ser espectador de um clube pseudo-social. Mas eu quero é tratar do finalzinho do artigo primeiro… esse que eu deixei destacado quando citei a lei: “salvo com autorização do estabelecimento de ensino, para fins pedagógicos. ”

Como conquistar a atenção dos alunos?

 Atualmente, leciono em escolas públicas mantidas pelo Governo Estadual e Municipal. Estão longe de ser escolas modelo por conta da falta de estrutura e, como estão localizadas em regiões periféricas da cidade, estão cobertas pelo manto da invisibilidade que paira nas regiões onde a Renda per capita é baixa. Como educadora, consciente da existência das novas tecnologias, quero introduzir em minhas aulas conteúdos interativos, diferentes do quadro branco ou de giz e do livro didático. Não quero abolir nenhum deles, mas se eu digo o tempo todo que Educação está além dos muros das escolas preciso provar. Então beleza!! Pausa rápida para um Dejavú:

– Vamos passar um vídeo, uma música!

-Ih, Fessora. O aparelho de DVD quebrou e também a  TV só pode ser usada pelo pessoal do projeto.

– Tem um aparelho de som aqui, mas o CD não está funcionando, serve o rádio? (respostas malcriadas sendo engolidas em 3,2…)

– Tá bom! Achei um texto bem legal na internet e quero compartilhar com os alunos. Pode fazer 100 cópias pra mim?

-Aaaah Fessora, essas coisas tem de ser pedidas com, pelo menos uma semana de antecedência. Se não acabar o tonner, nem as folhas, nem ultrapassarmos a cota mensal a gente consegue fazer isso sim!

Por algum tempo eu decidi comprar meu próprio radinho e levar pra sala de aula; Já precisei também levar cabos pra conectar DVD, pois a escola (que era particular) sempre adiava a compra desse acessório tão caro; Em uma das escolas que leciono, o controle remoto do aparelho de DVD foi comprado por professores;  Hoje em dia tenho uma caixinha na qual acoplo meu Pendrive e coloco os áudios que me interessam. É pequena, cabe na bolsa e em turmas medianas cumpre o prometido. Mas e nas turmas maiores? E como faço com os vídeos? Os textos? Aí vai a confissão.

 Eu, Wanessa Cristina Ribeiro de Sousa, Casada, sem filhos, e endividada com a Caixa Econômica Federal até 2036 confesso que:

 – Peço que os alunos baixem para os celulares: músicas, textos e vídeos e utilizo durante as aulas;

– Permito que eles escutem música (em um fone só senão se perdem de mim completamente) enquanto copiam as atividades. O combinado é retirar o fone enquanto estou falando. E pasmem, tem bem menos barulho. Não dá pra fazer com todas as turmas, mas deu certo em alguns grupos;

– E se a internet móvel fosse algo decente em nosso país eu pediria que eles realizassem pesquisas em seus aparelhos durante as aulas.

 Minha culpa, minha tão grande culpa!

Acho importantíssimo que a gente traga esse mundo digital para o Ensino Básico, porque a galera está com acesso a tudo, mas com pouquíssima habilidade de aproveitar o conteúdo a seu favor. Então lanço a campanha: A Favor da utilização de todos os recursos dos tablets, Pc’s e Smartphones! Os pobrezinhos são bem mais que veículos para a propagação e “propagandação” (perdoe-me o neologismo) da vida pessoal dos usuários.

Tecnologia pra que te quero?

E você o que acha sobre o assunto?

Se sua opinião ainda não está consolidada aqui tem algumas matérias de pessoas que também acreditam que essa questão deve ser debatida sob uma outra ótica:

Combinado para o uso do celular durante a aula: http://revistaescola.abril.com.br/ensino-medio/plano-de-aula-midias-celular-aula-740598.shtml

Celulares e convergência digital: http://revistaescola.abril.com.br/ensino-medio/plano-aula-celulares-convergencia-digital-676403.shtml

Las TIC en la Educación: http://www.unesco.org/new/es/unesco/themes/icts/m4ed/mobile-learning-resources/

10 dicas e 13 motivos para usar o celular na aula: http://porvir.org/porfazer/10-dicas-13-motivos-para-usar-celular-na-aula/20130225