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Nossa língua e suas reformas

Já se deparou com  publicações assim?

Dorca 1949. Acervo Centro de Memória Bunge.

Dorca 1949. Acervo Centro de Memória Bunge.

Aviso anterior a 1911 na parede da Igreja do Carmo, na cidade do Porto

Aviso anterior a 1911 na parede da Igreja do Carmo, na cidade do Porto

Anúncio de 1932

Anúncio de 1932

Pois é… a nossa Língua Portuguesa, como qualquer idioma, é um sistema vivo, dinâmico. E já passou por algumas mudanças…

A primeira reforma ortográfica da #Língua Portuguesa aconteceu em 1911, em #Portugal e não se estendeu ao Brasil. Somente no ano de 1931 foi assinado o primeiro acordo ortográfico entre Portugal e o Brasil. Mas ele não obteve o resultado esperado. Nos anos de 1943, 1945, 1971, 1973 e 1986 outras tentativas de unificar as duas ortografias oficiais da língua portuguesa. E essa novela de reformas tem bem mais capítulos do que se imagina. No site da Academia Brasileira de Letras você pode encontrar mais detalhes sobre essa movimentada história.

A dica de hoje é sobre o Acordo que foi assinado em 2008, para vigorar a partir de 2009 cuja implantação foi aprovada pelo Conselho de Ministros na Resolução nº 8/201 no ano de 2010, e até hoje causa arrepios a alguns falantes da nossa língua. O que muda? O que continua? Vamos as opções:

1 – Ler o documento na íntegra (boa sorte!)

2- Aprender com a Turma da Mônica com direito a passatempos que te fazem exercitar as novas regras. (227191915-Turma-Da-Monica-Reforma-Ortografica-1)

3 – Pra quem gosta de cordel também dá pra aprender e ensinar através dos Spots desenvolvidos pela Tv Brasil: ótima iniciativa batizada de Cordel Ortográfico

a) Mudança no alfabeto

b) Uso do Hífen I

c) Uso do Hífen II

d) Uso do Hífen III

e) Uso do Hífen IV

f) Uso do Hífen V 

g) Acentuação: tônicos u e i

h) Acentuação: ditongos

i) Acentuação: acento diferencial

j) Acentuação: circunflexos

k) Uso ou desuso do trema

Pronto! Agora basta escolher a melhor forma de aprender ou ensinar as mudanças do Acordo Ortográfico. Você tem até 31 de dezembro de 2015 pra manjar de todos os paranauê da reforma já que a nossa presidenta Dilma alterou o Decreto no 6.583, de 29 de setembro de 2008 e esticou o prazo de implementação do Acordo como consta no Decreto n 7.875 de 27 de dezembro de 2012. 

Até a próxima!

Índio quer apito?

Estou fazendo o curso de Formação continuada oferecido pela parceria entre a SEEDUC e a Fundação CECIERJ este semestre e estou gostando bastante da experiência. Todos nós educadores temos a solitária tarefa de elaborar nossos materiais, além de revisar e julgar o uso dos que as escolas nos oferecem diariamente. Lá vejo um espaço onde todos trocam bastante informação, compartilham suas experiências na aplicação dos materiais. Tudo muito interessante. Um dos eixos bimestrais propostos para esse ciclo problematiza a questão do negro e do índio na sociedade brasileira. Tenho bastante material a respeito da questão do negro na sociedade, até porque esta foi uma das questões que discuti em minha dissertação de mestrado. Mas e sobre o índio…o que nós sabemos? Faça uma busca rápida no Google e veja os resultados que aparecem…Tem bastante informação desencontrada!

Observe a figura abaixo e questione-se comigo:

Publicidade veiculada no Brasil em 2014 em virtude da realização da Copa do Mundo

Publicidade veiculada no Brasil em 2014 em virtude da realização da Copa do Mundo

–  Até que ponto o cocar na cabeça do homem da publicidade o identifica como membro de uma comunidade indígena?

– Em que medida o uso de roupas e o consumo de uma bebida mundialmente conhecida o afastam do universo indígena?

– Para ser reconhecido como um indígena nos tempos de hoje o índio precisa necessariamente manter-se encerrado em seus costumes e práticas originários de sua tribo?

– O índio, pertencente a raça humana, assim como o negro, o branco, o oriental não está também sujeito às mudanças ocorridas por conta da evolução histórica da sociedade?

Se você, assim como eu, acredita que tem pouca informação sobre o assunto, vale assistir esse vídeo com a participação de Eduardo Viveiros de Castro, um dos maiores nomes na área.

Esse vídeo foi indicação da minha amiga Cristiane Oliveira, que faz um trabalho lindo juntamente com os Karajá. Nessa foto temos um pequeno registro da realização da segunda oficina de gramáticas pedagógicas para línguas indígenas brasileiras.

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Quer saber mais sobre esse projeto? Clica aqui.

Pois é….a elaboração desse trabalho me fez refletir muito sobre isso. Índio pode querer apito, espelho, ipad, coca cola… Por que romantizar a imagem do indígena e resistir em aceitar que os índios participem como sujeitos ativos do mundo moderno? Tem índio que se aproveita das situações pra se beneficiar? Que faz falcatrua? Grande novidade! Isso não é uma questão de cosmovisão de uma tradição específica…. é índole, aliás, má índole!

 

Post de Inauguração

Resolvi inaugurar o blog com uma gota de esperança. Quem leciona atualmente sabe dos desafios que enfrentamos ao levar o conhecimento para o espaço de sala de aula e torná-lo interessante aos alunos, tendo em vista a quantidade de canais existentes para adquirir conhecimento. Ah, tem também a parte do reconhecimento, recursos… não, péra! Hoje é gota de esperança, vamos a ela:

Quando eu era criança via na Tv a chamada da Fundação Victor Civita sobre o prêmio Educador Nota 10. Aliás eu ainda não confessei, mas sempre quis ser professora! Dava aula pros azulejos da minha cozinha para ter sempre a sala de aula cheia sem ter que passar horas arrumando “os alunos” em seus lugares no fim da brincadeira. Eu dizia: quando crescer vou me inscrever nisso aí! O tempo passou e eu me esqueci. Até que oito anos depois de ter começado a lecionar um ex-chefe, hoje um querido amigo, me sugere que inscreva uma de minhas aulas no prêmio Educador nota 10. Eu relutei um pouco, mas mandei algo que fiz com os alunos do 9º ano, da E.M Professor Josué de Castro na Maré

Eu tinha acabado de chegar de Buenos Aires e a Copa estava a todo vapor aqui no Rio de Janeiro. Eu queria compartilhar com os alunos as coisas que vi durante a viagem, mas não dava pra ser APENAS um bate papo, precisava ir além. Queria muito contar a eles a experiência que tive quando estava em um bar, na madrugada do dia 20 de junho, dia da bandeira Argentina. O dono interrompeu o grupo de cantores para pedir aos presentes que levantassem para cantar o Hino da Pátria, já que era o dia da bandeira. Cantei o hino toda feliz, porque tinha feito um trabalho na faculdade sobre ele e fiquei pensando: caraca, no pedaço do Brasil que eu conheço não tem nada disso! Na minha escola a diretora canta o Hino com os alunos toda semana e isso gera um bom desgaste em alunos, professores e direção. Então eu resolvi traçar um ponto de comparação entre o olhar das duas nações sobre os seus hinos. E também tentei desmistificar a má fama que os “hermanos” tem para alguns brasileiros. Daí nasceu o projeto: “Copa 2014: conhecendo uma nação através do Hino Nacional” Resumindo o projeto:

1fase_2 momento_ Pesquisa sobre argentina

Pesquisa sobre Argentina: bandeiras e opiniões do senso comum brasileiro e argentino a respeito da nação Argentina

 

2 fase_bônus_Treinando  a letra do Hino da Argentina

Conhecendo a letra do hino da Argentina

 

 

 

 

 

 

 

 

Justificativa:

Tendo em vista o fato de que a Copa do Mundo de 2014 acontecerá no Brasil, pretende-se com o presente projeto estreitar os laços entre duas nações latino-americanas: a brasileira e a argentina. Com o grande fluxo de estrangeiros em nosso país o contato linguístico e cultural entre brasileiros e hispano-falantes se intensifica. Este cenário se apresenta como um terreno fértil para a propagação ou a quebra de estereótipos em relação ao outro. Nesta proposta o objetivo é alcançar o segundo efeito. As duas nações escolhidas apresentam um histórico de rivalidade que nasceu nos gramados, portanto, pretende-se, através dos mesmos gramados, apresentar um olhar crítico sobre a nação argentina a partir da análise da letra de seu Hino Nacional.

Alunos da Josué de Castro cantando um trecho do Hino da Argentina

Objetivos :

– Introduzir a questão da alteridade no contexto de discussão da sala de aula como um traço que afirma a identidade de uma nação sem incluir o juízo de valor ao observar outras nações;

– Fornecer estratégias pertinentes para que o aprendiz realize uma leitura compreensiva do texto, levando em consideração as condições de produção do mesmo;

– Fomentar a reflexão crítica do aprendiz para que este possa reconhecer e compreender a diversidade linguística e cultural de cada nação.

 Conteúdos Curriculares

– Reconhecer e utilizar o Presente de Subjuntivo para expressar a opinião que os alunos têm sobre a nação argentina antes de realizar a pesquisa sobre a cultura do país e a análise da letra do Hino.

– Introduzir o tema das formas de tratamento no estudo de E/LE : Tuteo, Voseo, Ustedeo.

– Levantar dados pertinente sobre a Argentina e os costumes de seus habitantes;

– Analisar criticamente a letra do Hino Nacional Argentino.

Metodologia

– Levar para a sala de aula o Mapa Político das Américas e indagar os alunos a respeito do conhecimento que possuem acerca das nações que falam espanhol no Continente Americano; Em seguida Fazer perguntas a respeito da Argentina. Anotar no quadro as informações fornecidas pelos alunos e apresentar a eles algumas informações de cunho geográfico e político a respeito do país.

– Pedir que os alunos pesquisem a respeito dos costumes, da localização geográfica, cultura e demais aspectos pertinentes para realizar uma exposição oral na aula seguinte;

– Ao finalizar a exposição das pesquisas realizadas apresentar o vídeo elaborado pela TyC sports que apresenta uma série de piadas elaboradas a partir de estereótipos sobre argentinos que são imediatamente refutadas utilizando notícias sobre os jogadores nascidos na Argentina. (http://youtu.be/FJd-Q_6ZvEk) Apresentar aos alunos algumas situações estereotipadas que pertencem ao contexto brasileiro e pedir que eles discutam até que ponto a situação apresentada condiz com o nosso comportamento;

– Apresentar aos alunos a letra do Hino Nacional da Argentina e, após a análise linguística e gramatical do corpo textual, estimular que os alunos associem as informações discutidas nos encontros anteriores com a mensagem passada na letra em análise.

Não consegui realizar todas as atividades como planejava por falta de estrutura da unidade escolar, mas considero positivo o resultado da realização do projeto. Os alunos receberam bem a proposta. Já no campo pedagógico, a recepção do projeto foi ainda melhor. Enviei o plano de ação e os resultados das atividades para a Fundação Victor Civita e o projeto ficou entre os 50 melhores da Edição de 2014 do prêmio Educador Nota 10. Uma gota de esperança no coração da Fessora aqui, outra gotinha acolá no coração de educadores que insistem em doar o seu melhor em sua prática docente e uma gotinha também no coração dos alunos que se dispuseram a olhar o outro além dos estereótipos.

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Resultado da participação do projeto na edição de 2014 do prêmio Educador Nota 10

Também tem uma gotinha de esperança pra compartilhar? Esse é o lugar! Não sei se conseguimos encher um oceano com elas, mas uma piscina plástica de 1.00lts já é um bom começo 😉