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Índio quer apito?

Estou fazendo o curso de Formação continuada oferecido pela parceria entre a SEEDUC e a Fundação CECIERJ este semestre e estou gostando bastante da experiência. Todos nós educadores temos a solitária tarefa de elaborar nossos materiais, além de revisar e julgar o uso dos que as escolas nos oferecem diariamente. Lá vejo um espaço onde todos trocam bastante informação, compartilham suas experiências na aplicação dos materiais. Tudo muito interessante. Um dos eixos bimestrais propostos para esse ciclo problematiza a questão do negro e do índio na sociedade brasileira. Tenho bastante material a respeito da questão do negro na sociedade, até porque esta foi uma das questões que discuti em minha dissertação de mestrado. Mas e sobre o índio…o que nós sabemos? Faça uma busca rápida no Google e veja os resultados que aparecem…Tem bastante informação desencontrada!

Observe a figura abaixo e questione-se comigo:

Publicidade veiculada no Brasil em 2014 em virtude da realização da Copa do Mundo

Publicidade veiculada no Brasil em 2014 em virtude da realização da Copa do Mundo

–  Até que ponto o cocar na cabeça do homem da publicidade o identifica como membro de uma comunidade indígena?

– Em que medida o uso de roupas e o consumo de uma bebida mundialmente conhecida o afastam do universo indígena?

– Para ser reconhecido como um indígena nos tempos de hoje o índio precisa necessariamente manter-se encerrado em seus costumes e práticas originários de sua tribo?

– O índio, pertencente a raça humana, assim como o negro, o branco, o oriental não está também sujeito às mudanças ocorridas por conta da evolução histórica da sociedade?

Se você, assim como eu, acredita que tem pouca informação sobre o assunto, vale assistir esse vídeo com a participação de Eduardo Viveiros de Castro, um dos maiores nomes na área.

Esse vídeo foi indicação da minha amiga Cristiane Oliveira, que faz um trabalho lindo juntamente com os Karajá. Nessa foto temos um pequeno registro da realização da segunda oficina de gramáticas pedagógicas para línguas indígenas brasileiras.

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Quer saber mais sobre esse projeto? Clica aqui.

Pois é….a elaboração desse trabalho me fez refletir muito sobre isso. Índio pode querer apito, espelho, ipad, coca cola… Por que romantizar a imagem do indígena e resistir em aceitar que os índios participem como sujeitos ativos do mundo moderno? Tem índio que se aproveita das situações pra se beneficiar? Que faz falcatrua? Grande novidade! Isso não é uma questão de cosmovisão de uma tradição específica…. é índole, aliás, má índole!